Índice de Qualidade do Ar

O Índice de Qualidade do Ar (IQAr) é uma ferramenta que permite efetuar uma classificação simples e compreensível do estado da qualidade do ar. Este índice integra informação relativa a vários poluentes atmosféricos, que é agregada e à qual se atribui uma de cinco classes, variando entre "Muito bom" e "Mau". A classe final do IQAr, por estação ou zona, corresponde ao poluente cuja concentração se traduz num nível de poluição mais gravoso. As classes do IQAr são atribuídas com base nos valores das concentrações de cada poluente e de acordo com os limiares estabelecidos pela legislação nacional.

Tabela 1 - Classes do Índice de Qualidade do Ar


Poluentes previstos diariamente

De acordo com o histórico de dados de qualidade do ar em Portugal, verificou-se que os poluentes que acarretam maiores preocupações, no que diz respeito aos impactes negativos na saúde humana, têm sido o ozono troposférico (O3) e as partículas inaláveis, partículas em suspensão com diâmetro aerodinâmico inferior a 10μm (PM10). Assim, a previsão estatística do IQAr é efetuada para estes poluentes, nomeadamente para a concentração máxima horária de O3 e para a concentração média diária de PM10.

O IQAr é calculado diariamente, para cada estação da rede de monitorização da qualidade do ar, sendo posteriormente agregado por zona, de acordo com as regras definidas a nível nacional (QualAr).

Fontes e Efeitos

Diferentes poluentes têm diferentes fontes emissoras, bem como tempos de residência na atmosfera distintos e vários tipos de impactes seja na saúde humana, ecossistemas ou no clima.

Apesar das melhorias significativas nas últimas décadas, a poluição do ar em Portugal continua a prejudicar a saúde e o ambiente. Em particular, a poluição por PM10 e O3 representam graves riscos para a saúde, afetando a qualidade de vida e reduzindo a esperança média de vida.

Partículas Inaláveis

Figura 1 - Efeitos na saúde humana das partículas em suspensão inaláveis, European Environment Agency.

As partículas em suspensão (PM) constituem o poluente atmosférico que causa maior dano à saúde humana na Europa podendo ser compostas por diversos componentes químicos traduzindo-se em diferentes graus de toxicidade.

Nas áreas urbanas as emissões de partículas são principalmente causadas pelo transporte rodoviário, em particular, por motores a gasóleo. Determinadas atividades industriais também constituem uma importante fonte de emissão deste poluente.

Destacam-se ainda os fenómenos naturais de transporte a longa distância de poeiras, a partir de zonas áridas (como os desertos do Norte de África), que têm contribuído com um acréscimo de cerca de 10% para a média anual das concentrações de PM10 registadas entre 2009 e 2016 (APA, 2017).

Algumas das partículas inaláveis são tão pequenas que, não só, penetram profundamente nos pulmões como também passam para a corrente sanguínea.

Figura 2 - Efeitos na saúde humana das partículas em suspensão inaláveis, Environment Assured.

Ozono

Na estratosfera o ozono protege a superfície terrestre da perigosa radiação ultravioleta do sol mas na camada mais baixa da atmosfera - a troposfera - o ozono é um importante poluente que afeta a saúde humana e os ecossistemas. O ozono resulta de reações químicas, desencadeadas pela luz solar, entre poluentes emitidos para a atmosfera, nomeadamente pelos transportes, indústria e produtos químicos de uso doméstico.

O ozono é um poderoso e agressivo oxidante. Níveis elevados de ozono podem corroer materiais e edifícios. Também prejudica o crescimento das plantas, resultando em perdas no rendimento das colheitas e redução do desenvolvimento das florestas.

A afetação deste poluente na saúde humana pode manifestar-se, nomeadamente, através da inflamação dos pulmões e brônquios. Uma vez exposto ao ozono, o corpo humano tenta impedi-lo de entrar nos pulmões. Este reflexo reduz a quantidade de oxigénio que é inalado. A inalação de menos oxigénio obriga a um esforço adicional no funcionamento do coração. Assim, para quem já sofre de doenças do foro cardiovascular e respiratório (como a asma), episódios de elevadas concentrações de ozono podem ter um efeito debilitante.

A exposição a este poluente afeta, essencialmente, as mucosas oculares e respiratórias podendo o seu efeito manifestar-se através de sintomas como tosse, dores de cabeça, dores no peito, falta de ar e irritações nos olhos.

Figura 3 - Episódio de smog fotoquímico causado por ozono (esquerda), European Environment Agency;
Efeitos do ozono em plantas (direita) (Danica Lombardozzi/National Center for Atmospheric Research)

Conselhos de Saúde

Os poluentes O3 e PM10 apresentam efeitos mais imediatos na saúde humana quando as suas concentrações estão acima de determinados níveis. Nesses casos é recomendável que os grupos mais sensíveis da população reduzam ao mínimo a atividade física intensa ao ar livre e evitem a permanência no exterior, sugerindo-se as recomendações indicadas na Tabela 2.

Tabela 2 - Recomendações de saúde em função da classe prevista do IQAr.


Para obter informações adicionais, nomeadamente durante a ocorrência de episódios de poluição atmosférica, consulte a informação disponibilizada pelas seguintes entidades:

  • Direção-Geral de Saúde (DGS);
  • Agência Portuguesa do Ambiente: para acompanhar a evolução das concentrações de poluentes atmosféricos medidos nas redes de monitorização da qualidade do ar consulte a base de dados QualAr.
  • Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR): as CCDR são as entidades responsáveis pela gestão da qualidade do ar nas suas áreas de jurisdição, em cada uma das cinco regiões de Portugal Continental: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. Na Região Autónoma da Madeira essa entidade é a Direção Regional do Ordenamento do Território e Ambiente e, na Região Autónoma dos Açores, é a Direção Regional do Ambiente dos Açores.